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Desde
que o ser humano descobriu que poderia multiplicar sua capacidade de produção
através da utilização de animais domésticos, para os trabalhos pesados, já
se percebia que se um boi puxava uma carroça com uma tonelada de carga, dois
bois puxariam mais de dois mil quilos e três bois então nem se fala. A pura
observação mostrava ao homem primitivo que quanto mais patas, mais tração.
O que se tornou óbvio para os engenheiros mecânicos
e pilotos de teste, séculos mais tarde, quando foi inventado o veículo automotor,
que quanto mais rodas estivessem tracionando o veículo mais fácil era vencer
obstáculos. Os fazendeiros que sabiam disso há muito tempo, já reivindicavam
que os tratores fossem vendidos com a opção de tração nas quatro rodas e às
vezes até que os reboques pudessem ser tracionados pelo motor do trator.
Ao longo dos tempos algumas soluções foram
tentadas, como o uso de dois motores num só veículo, caso do Citroën 2 Chevaux,
que para as expedições francesas no deserto do Saara, foi equipado com um
motor na frente e outro atrás, cada um tracionando um eixo. Outros fabricantes
de veículos, em épocas diferentes, também tentaram diversas opções para facilitar
o deslocamento de tropas, mercadorias e populações, em situações limites,
como enchentes, travessias de regiões desérticas e lugares frios onde a neve
impedia a passagem dos veículos normais.
De lá para cá, o segmento do mercado automobilístico
que mais cresce é o dos chamados "utilitários", que como o próprio nome diz
são concebidos mais para a utilidade do que para a estética, conforto ou economia.
Hoje não é preciso ser um expert em indústria automobilística para se notar
que os veículos 4x4, ou seja, com tração nas quatro rodas, principalmente
os utilitários estão sendo visto tanto nas fazendas quanto nas ruas de qualquer
grande cidade, nas praias da moda ou "points" noturnos da rapaziada moderna.
Escolhemos, compramos e usamos veículos com tração nas quatro rodas seja qual
for o motivo, alguns até para impressionar os vizinhos.
No entanto, ao usarmos um veículo superdimensionado,
como por exemplo, um poderoso 4x4, para ir ao cinema numa grande metrópole,
ou um jipe para irmos de casa para o escritório, devemos nos perguntar se
ao usá-lo não estaremos gastando mais combustível do que se usássemos outro
veículo mais leve e de menor consumo. Se nos finais de semana você usa bastante
seu 4x4, não deveria preocupar-se com isso, mas caso contrário deveria perguntar-se
se não estará sendo ecologicamente incorreto.
Um veículo como os modernos 4x4, que estão
disponíveis no mercado brasileiro, é uma poderosa ferramenta para muitos trabalhos
sem os quais ou as tarefas não seriam executadas ou sairiam caríssimas. Desde
a Defesa Civil, passando pelas Forças Armadas, até as empresas que fornecem
eletricidade, água, telefone e esgotos, todas dependem dos veículos 4x4, até
de 6x6 e ainda mais, para satisfazerem as demandas da sociedade moderna. Há
também, só que em número muito menor, aqueles que usam os veículos 4x4 para
esporte e viagem, seja competindo em ralis ou participando dos passeios dos
clubes de jipeiros. Algumas pessoas usam os veículos 4x4 para partir pelo
mundo em expedições buscando conhecimento, emoções e aventura.
É nesta categoria que me enquadro, pois sempre
soube que sem um 4x4 eu nunca chegaria nos locais que me atraem, nem teria
percorrido impunemente os milhões de quilômetros de estradas e trilhas dos
80 países que conheço, muitos deles bem longe do asfalto e do socorro mecânico.
Nestas horas, quando percebemos que nossas vidas e a de nossos companheiros
de viagem estão em nossas mãos, é que o 4x4 torna-se um parceiro indispensável.
Já fiz travessias no deserto do Saara, com etapas de 900 km de areia fofa
como talco, pedras afiadas e até lama grudenta, sem nenhum ponto de apoio
entre a partida e a chegada, numa época em que não havia nem sonho de GPS,
onde, sem a tração nas quatro rodas eu não estaria aqui escrevendo estas linhas.
Assim, sei bem o quanto devo minha vida aos
sete veículos 4x4 que passaram pelas minhas mãos: uma Rural Willys 1959, com
a qual aprendi a dirigir, um Jeep Willys 1959, um Land Rover 1974, um Land
Rover 1968, um Toyota Bandeirante 1987, um Suzuki Samurai 1988 e hoje um Land
Rover Defender 110, 1998, que me levaram e continuam me levando com segurança
e confiabilidade através de muitos continentes, aventuras e boas histórias.
No entanto, da mesma forma que seria pouco
inteligente imaginar que ao comprarmos boas ferramentas nos transformaremos,
num passe de mágica, em bons mecânicos, não é sensato pensar que ao comprarmos
uma fera 4x4 nos transformaremos em excelentes usuários da máquina. Pior ainda,
é trocar um pequeno veículo urbano por um pesado 4x4 pensando que comportam
da mesma maneira. No passado, para se aprender todas as técnicas para o manejo
competente de um 4x4 era preciso muito dinheiro, esforço, suor, lama e muitos
erros em muitos anos de trilhas.
Foi por esta razão que não pude recusar nem
deixar de ficar honrado quando João Roberto, o autor desta obra, me convidou
para escrever sua introdução. Logo de cara tenho que confessar, que até eu,
ao ler a obra, encontrei novas soluções para problemas que tive no passado
e que são verdadeiras pérolas. Lamento não ter sabido antes, pois teriam me
safado de boas encrencas.
Hoje, graças ao esforço do João Roberto, que
passou por todas as provas acima e ainda deu-se ao trabalho de coletá-las
de maneira metódica e publicá-las numa linguagem acessível até para os não
mecanicamente inclinados, como eu, já não há mais desculpa para meter-se em
fria no "fora de estrada", por falta de conhecimento.
Mas como provavelmente nem um em cada dez motoristas
de 4x4 saibam o indispensável para atravessar terrenos difíceis, esta obra
chega em hora certa para suprir a carência de experiência dos motoristas urbanos.
Na qualidade de usuário de 4x4, leitor e colecionador
de livros sobre este tipo de veículo, há 37 anos, não posso deixar de admirar
este meticuloso trabalho de coleta e pesquisa, que reúne tudo que o motorista
de um 4x4 precisa conhecer para dirigir com segurança e divertir-se sem desnecessárias
despesas extras de manutenção.
Se o leitor se der ao prazer de ler esta obra
até sua última linha, poderá diminuir sua ida às oficinas, viajar com mais
segurança, sem jogar dinheiro fora e executar tarefas difíceis num canteiro
de obras sem colocar em risco a vida dos colegas de trabalho. E isto tudo
sem falar que para os desmiolados que já vi pilotando tresloucadamente pelas
areias do Saara, este livro deveria ser de leitura obrigatória.
Posso, sem dúvida alguma, afirmar que esta obra, dentro de pouco tempo será
reconhecida como referencial sobre o assunto. É ler para crer!
Tito Rosemberg, 54 anos, jornalista
e technômade, é dependente de 4x4 e
pode ser encontrado em www.titorosemberg.com
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